Exportações, 19 janeiro 2015
 
2015-01-20 às 12:12

AS PESSOAS VÃO PERCEBER A RECUPERAÇÃO «NOS RECIBOS DOS SALÁRIOS, DO IRS E DAS PENSÕES»

O «que as pessoas vão perceber nos recibos dos salários, nos recibos do IRS e nos recibos das pensões é a recuperação, porque nos meses de janeiro e fevereiro os funcionários públicos vão recuperar 20% face ao corte que tinham tido e o IRS das famílias com filhos desce consideravelmente», afirmou o Vice-Primeiro-Ministro. Paulo Portas, que discursava numa apresentação dos meios do programa de fundos comunitários Portugal 2020 para impulsionar as exportações, organizada pelo AICEP em Aveiro, disse também que se «a palavra mais usada nos últimos anos foi ajustamento», agora deverá ser recuperação.

A recuperação está a ser feita «com os pés assentes na terra, sem prometer ilusões e sem voltar à irresponsabilidade que, do ponto de vista das políticas macroeconómicas faria voltar o País aos anos difíceis», afirmou o Vice-Primeiro-Ministro, recordando que «o caminho que foi feito e a opção certa tomada de ter apenas um resgate e uma troika, quando alguns reclamavam mais tempo e mais dinheiro», «permitem agora ao País estar a viver a transição» da recessão para o crescimento.

Paulo Portas apontou nomeadamente a descida gradual do IRC para as empresas e os sinais macroeconómicos positivos: «Há três anos, os juros da dívida pública portuguesa a 10 anos estavam nos 15% e hoje estão a 2,6%. Em 2011 o défice era superior a 10% e hoje anda na casa dos 4%».

O Vice-Primeiro-Ministro referiu os «sinais de esperança e confiança» que perspetivam 2015 como um ano melhor do que 2014, se não surgir nenhuma crise internacional inesperada: «Abandonámos a recessão, e Portugal, a par da Espanha e da Irlanda, são países com melhor crescimento na zona euro; somos um dos casos em que a criação de emprego regista melhor resultado na redução do desemprego; estamos com o melhor registo de confiança por parte dos empreendedores, desde 2008, e dos consumidores, desde 2012; e o investimento, que era o nosso ponto crítico, teve em 2014 os primeiros sinais positivos com um crescimento de 3%; nascem duas vezes e meia mais empresas do que as que desaparecem, quando há dois anos era o contrário, e só cria uma empresa quem tem alguma confiança e pretende assumir algum risco».

Paulo Portas referiu-se também ao crescimento das exportações, afirmando que «foi um magnífico trabalho das empresas que desmentiu alguns economistas. Não era verdade que Portugal não conseguia exportar mais», que as exportações portuguesas tinham atingido o seu limite. «Terminaremos o ano 2% acima do melhor ano de sempre, que foi 2013. Ou seja 2014 foi o melhor ano de sempre», acrescentou.

Apesar da restrição sofrida no setor dos combustíveis (menos 18%), as exportações continuaram a crescer «porque os exportadores souberam ir à procura de mercados não tradicionais - seis dos dez mercados onde Portugal mais cresceu não são mercados tradicionais», sublinhou, acrescentando que o trabalho do Governo remover as barreiras às exportações portuguesas, tendo em conta que há «muitos países a quererem exportar para onde nós queremos».

Dois dos mercados referidos na apresentação foram o do Reino Unido e o do Senegal.

No primeiro caso, trata-se de um parceiro comercial estratégico para Portugal (5.º principal mercado de exportação e 1.º de serviços), mas ainda com elevado potencial por explorar, sobretudo para produtos inovadores e de elevada incorporação tecnológica. Portugal tam também vantagens competitivas relevantes na oferta de produtos para a casa que é muito completa: do mobiliário, à iluminação, passando pela decoração e revestimentos.

As exportações para o Reino Unido aumentaram cerca de 10% em 2013 e 13% entre janeiro e novembro de 2014, representando 6,10% do total das exportações. Desde 2011, a nossa balança comercial com este mercado é positiva. Atualmente, há mais de 2600, as empresas portuguesas a vender para o Reino Unido, um mercado prestigiante eexcelente cartão de visita para qualquer empresa, devido à sofisticação e grau de exigência dos seus consumidores.

O Senegal, sendo um importador líquido de bens de produção, de consumo e de investimento, oferece inúmeras oportunidades de negócio, em particular de investimento em condições vantajosas. Presentemente há grandes projetos em concurso nos setores dos transportes, construção, obras públicas, ambiente e energia, muitos dos quais, beneficiam de financiamentos concedidos por entidades multilaterais, e privatizações em curso.

A sua estabilidade política e posição geográfica, faz do Senegal uma importante plataforma económica para o acesso aos países limítrofes.

Foram assinados dois importantes instrumentos facilitadores do comércio e investimento: a Convenção para Evitar a Dupla Tributação e o Acordo de Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos.

Tags: economia, internacionalização, exportação, diplomacia económica, portugal 2020, fundos europeus, crescimento