Orçamento do Estado, 25 novembro 2014
 
2014-11-25 às 14:18

PORTUGAL TEM DUAS OPÇÕES: «CINGIR-SE AO MUITO QUE JÁ FOI FEITO OU RECONHECER QUE AINDA HÁ MUITO POR FAZER E ENFRENTAR OS DESAFIOS»

«O País tem agora autonomia para escolher uma de entre duas opções: cingir-se ao muito que já foi feito e admitir que as restrições terminaram com o Programa, ou reconhecer que ainda há muito por fazer e enfrentar os desafios de frente», afirmou a Ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, no encerramento do debate da proposta de Orçamento do Estado para 20155, que foi aprovado pela Assembleia da República.

A Ministra referiu que o primeiro caminho, «a repetição do comportamento na primeira década do euro seria, na melhor das hipóteses, um paliativo no curtíssimo prazo, mas resultaria numa crise de ainda maiores proporções no futuro».

Já «a segunda opção tem uma única concretização subjacente: consolidar os resultados obtidos, mantendo o mesmo empenho reformista que permitiu alcançá-los», afirmou Maria Luís Albuquerque, acrescentando que «este caminho não será isento de custos nem de riscos, mas reveste-se de esperança, pois poderá efetivamente trazer um futuro de maior estabilidade e de maior prosperidade».

O Orçamento de 2015, por ser o primeiro dos últimos anos com maior autonomia, «significa que Portugal tem mais a perder e tem, por isso, responsabilidade acrescida», tendo «o dever de preservar as conquistas coletivas».

Neste sentido, deve manter uma ação preventiva que passa pela «identificação dos problemas que conduziram à crise e das lições que aprendemos ao iniciar a sua correção».

Esses problemas, que decorreram «da acumulação de desequilíbrios macroeconómicos de grande dimensão, resultantes da impreparação para os desafios da moeda única e do incumprimento das regras associadas», manifestaram-se «de forma abrupta logo após a crise financeira global», disse a Ministra.

Quando a crise financeira global surgiu, «Portugal não só falhara na atuação preventiva - estando particularmente vulnerável no momento mais crítico - como não soube aplicar uma atuação corretiva eficaz - optando por seguir os estímulos decididos para a Europa, quando a sua fragilidade decorria precisamente da incapacidade de sustentar a procura interna e de gerar riqueza a partir da despesa pública».

Acerca do Orçamento para 2015, Maria Luís Albuquerque, realçou «que a despesa pública atingirá entre 2010 e 2015 uma redução global de 7,8 mil milhões de euros, invertendo uma tendência de crescimento persistente pelo menos desde 1995».

Ao mesmo tempo, e «em conjunto, a manutenção do rigor de ajustamento e as iniciativas de apoio à recuperação da economia e da confiança permitirão atingir novos resultados decisivos para o País em 2015», dos quais destacou.

  • «Portugal deverá registar não só um défice orçamental inferior a 3%, como um excedente orçamental primário de 2,2% do PIB - o terceiro excedente primário consecutivo e o maior excedente primário das duas últimas décadas»;
  • «O rácio da dívida pública em termos brutos deverá diminuir pelo segundo ano consecutivo, situando-se em 123,7% do PIB no final de 2015, mantendo ainda assim importantes reservas de liquidez que permitem enfrentar com tranquilidade a incerteza das condições de mercado»;
  • «O crescimento anual do PIB deverá acelerar para 1,5%, assentando em contributos positivos da procura interna e da procura externa líquida»;
  • «E a taxa de desemprego, que embora se mantenha em níveis ainda muito elevados, não deverá situar-se acima de 13,4% em 2015, uma previsão prudente tendo presente que o último valor registado é já significativamente inferior».
Tags: orçamento, reformas estruturais, défice, dívida, crescimento, despesa, emprego, austeridade